this post was submitted on 18 Nov 2025
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Bate-Papo

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Uma comunidade para discussões gerais que não se encaixam nas previstas em outras.

Sala de Bate-Papo (chat room)

batepapo

founded 2 years ago
MODERATORS
 

Vocês ainda conseguem ver a internet como um refúgio?

Ando pensando em como me encontrei bem no Fediverso. Criei até um certo ritual para acessá-lo, que é basicamente logar somente pelo computador. Há coisas que só encontro aqui e nunca vi uma comunidade mais amigável do que esta.

Além disso, por conta da interface complexa "all in one" do #Friendica, consigo participar da dinâmica do microblogue e dos fóruns de discussão sem o menor problema.

Porém o estranho é que o Fediverso é um refúgio virtual para fugir... da internet.

O que vocês pensam a respeito disso?

@batepapo
!batepapo

top 25 comments
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[–] Staden_@pawb.social 9 points 1 month ago (1 children)

Não ter um algoritmo que te empurra posts de drama pra aumentar o engajamento na plataforma ajuda muito

[–] arlon@connexia.hibiol.eu 2 points 1 month ago

@Staden_

Certamente! Essa falta de esforço por engajamento me pegou muito. Eu odiava o Twitter, porque era o espaço onde o que contava era isso. E era uma realidade antes mesmo da aplicação do algoritmo de recomendação!

[–] oigreslima@fed.sfl.pro.br 5 points 1 month ago* (last edited 1 month ago)

@arlon Não chamaria de refúgio, mas é um local que gosto de estar. Eu penso como o Lemisnki, onde existem seres humanos, sempre haverá dramas... mas, como já disseram, aqui eu estou no controle do que quero interagir e isso faz toda a diferença.

[–] Auster@thebrainbin.org 4 points 1 month ago (1 children)

@arlon@connexia.hibiol.eu Não sabia que Friendica é rede híbrida também 👀

E não sei se chamaria de um refúgio, mas estou gostando bastante que se não quero fazer parte de uma dada rede, comunidade, etc., posso tirar tais do meu feed sem ter que descartar todo resto.

[–] arlon@connexia.hibiol.eu 1 points 1 month ago (1 children)

@Auster

Não sabia que Friendica é rede híbrida também

Bom, mas em que sentido? De certa forma todos os do Fedi o são.

P.S.: Agora que vi que a sua plataforma é mBin. Cogitei em manter uma conta aí, mas como não consegui uma forma de importar contatos e até mesmo buscar por novos usuários, acabei desistindo. Como está sendo a experiência?

mas estou gostando bastante que se não quero fazer parte de uma dada rede, comunidade

Sim, também tenho essa sensação de curadoria autônoma. Tenho a impressão de que estou descobrindo as coisas por conta própria por aqui, e que as interações são mais orgânicas...

[–] Auster@thebrainbin.org 1 points 1 month ago (1 children)

@arlon@connexia.hibiol.eu Sobre a experiência, é um "jank" positivo, como diria a dona do canal Veronica Explains - é o básico que funciona bem, principalmente pra mim que gosto tanto de limpar as páginas que acesso com filtros do Ublock Origin. Lemmy acho muito inchado e não tem função de bloquear domínios, PieFed acho a UI muito pouco responsiva, Mastodon acho muito lento, e Misskey de UI é uma zona. Outros ou não testei ou não têm alternativas. E terem enfim juntado microblog e publicações de discussão numa versão recente ajudou bastante pra mim.

Agora, infelizmente de fato importar é um processo bem manual. Mas para encontrar manualmente, pode usar a página /search, por exemplo https://thebrainbin.org/search na minha instância. E uma coisa que faço já que uso bastante aqui e o Mastodon é seguir minha conta do Mastodon, e a do Mastodon seguir essa, que daí a chance de algo antes não federado passar a ser é maior, o que ajuda quando eu for procurar depois.

E pro doido que sou que adora RSS's também, gosto que instâncias Mbin geram feeds RSS locais para comunidades externas, ao estilo do PieFed e diferentemente do Lemmy. Só não gosto que os RSS's não puxam os posts de microblog da pessoa (imagino que seja corrigido dado uma interação no Github).

E sobre ser híbrida, me referia ao design focar nisso, tipo o Mbin que agora expandiu no design microblog+threads do seu antecessor Kbin, e o Misskey que tem design de microblog mas com elementos de threads como mostrar a linha recente de comentários e ter suporte a publicações com muito texto, e o Mastodon mostrar vídeos do Peertube como se fossem anexo.

E consequentemente híbrido seria tipo os boosts para threads no Mbin aparecerem no Mastodon apenas o título, o link e a imagem ao invés de contexto, posts no Mastodon aparecerem no Lemmy duplicando o corpo de texto como título, e usuários do Peertube não poderem seguir gente de outras redes quando essas outras permitem.

[–] Auster@thebrainbin.org 1 points 1 month ago (1 children)

@batepapo@lemmy.eco.br @arlon@connexia.hibiol.eu

Desculpa também a parede de texto. Sou meio tagarela. 😬

Mas bom que daí já pude ver como o Friendica se comporta, e aparentemente é tipo o Misskey em ter suporte a publicações longas, e os Reddit-like (esse termo existe?) em mostrar cada linha de comentários.

Pelo que estou vendo e do pouco que lembro, o Friendica parece o Facebook lá por 2018, quando a interface ainda não era tão "sofrível".

[–] arlon@connexia.hibiol.eu 1 points 1 month ago (1 children)

@Auster

Desculpa também a parede de texto. Sou meio tagarela. 😬

Eu me mudei para o Friendica porque eu literalmente queria escrever mais e ler mais no Fediverso 😂

Lemmy acho muito inchado e não tem função de bloquear domínios, PieFed acho a UI muito pouco responsiva, Mastodon acho muito lento, e Misskey de UI é uma zona.

Chegou a experimentar o Akkoma? Ele também é um bom misto de macroblogue + microblogue. Só que não é tão voltado à discussão, porque não contextualiza respostas como é no Lemmy e no Friendica.

E uma coisa que faço já que uso bastante aqui e o Mastodon é seguir minha conta do Mastodon, e a do Mastodon seguir essa, que daí a chance de algo antes não federado passar a ser é maior, o que ajuda quando eu for procurar depois.

Então você literalmente se segue e depois vai seguindo perfil a perfil? Meu Deus. Já até cogitei em fazer isso, mas haja trabalho . . .

Pelo que estou vendo e do pouco que lembro, o Friendica parece o Facebook lá por 2018

Exatamente, mais um espaço de discussão e socialização. Passo a maior parte do tempo escrevendo e lendo, acabo até esquecendo que tem uma TL. Quando sobra um tempinho é que vou dar um passeio pelos “círculos”.

[–] Auster@thebrainbin.org 1 points 1 month ago

@arlon@connexia.hibiol.eu Sobre o Akkoma, já ouvira falar mas nunca testei.

Sobre seguir de forma "espelhada", consigo ser bem paciente e meus projetos costumam ser excessivos. e.e"

[–] Cochise@lemmy.eco.br 3 points 1 month ago (2 children)

Acho que nunca vi a Internet como um refúgio, mas sim como um espaço de novidades a explorar. De certo modo, sempre foi, apesar dos pesares, mesmo que precisando de muita interferência, como usar o fork suspeito do Instagram que remove todo o conteúdo que não sigo da timeline, ou ler mangá pelo Tachiyomi em vez de pelos sites, além de ter uns três níveis de adblock, burla de paywall e proteção contra rastreio...

Diria que antes era mais uma feira livre e hoje um safari no coração das trevas, mas para mim sempre foi uma aventura, um espaço aberto de possibilidade, e não um lugar de conforto e acolhimento.

[–] arlon@connexia.hibiol.eu 2 points 1 month ago

@Cochise

De certo modo, sempre foi, apesar dos pesares, mesmo que precisando de muita interferência, como usar o fork suspeito do Instagram que remove todo o conteúdo que não sigo da timeline, ou ler mangá pelo Tachiyomi em vez de pelos sites, além de ter uns três níveis de adblock, burla de paywall e proteção contra rastreio...

Outro dia falei sobre como encontro prazer em burlar essas lacunas das BigTech. Essa postura, sim, entendo como cyberpunk!

não um lugar de conforto e acolhimento.

Eu, particularmente, enxergo o Fedi como um lugar de acolhimento, sim. Tanto que temos comunidades as mais diversas aqui. Mas de fato, é difícil ter conforto onde há gente, que nem disse o @oigreslima . Sempre haverá conflitos, e acho que estamos aprendendo a lidar com isso!

[–] oigreslima@fed.sfl.pro.br 2 points 1 month ago

@Cochise @arlon

um safari no coração das trevas

Você reconhece um escritor pelo texto :smile:

[–] dsilverz@calckey.world 2 points 1 month ago (2 children)

@arlon@connexia.hibiol.eu @batepapo@lemmy.eco.br

Já vaguei por inúmeros cantos dessa Internet: de fóruns e redes sociais na rede Onion (Tor) e eepsites (I2P), a "buracos Gopher" (Gopher holes), caminhando até mesmo pela linha tênue que separa Internet e radioamadorismo (Echolink, WebSDR, etc). Já tive cápsula no Geminispace, já tive vários blogs, já tive web rádio com um total estonteante de zero ouvintes usando o Windows Media alguma coisa (um software que costumava existir na época do Windows XP pra streamar).

Se a Internet é um refúgio? Talvez costumasse sê-lo na época do Orkut, onde a internet era meu único espaço de alguma socialização (e de alguma fuga mental de todo o bullying escolar).

Mas, como tudo nessa existência cósmica, essa Internet morreu. Não somente porque plataformas (como o Orkut e MSN Messenger) foram desligadas, mas também porque as pessoas daquela época já não existem mais. Eu mesmo, aquele meu eu de 2010, não existe mais.

Quando a casa de infância é demolida e vira terreno pra um edifício comercial, não importa o quanto se tente recriar essa casa de infância com suas paredes amarelas e vitrôs difíceis de abrir, televisor de tubo onde costumava ver desenhos da TV Cultura, um avô que implicava toda vez que eu abria a geladeira, um quintal de lama onde eu costumava brincar e até comer terra, com uma bananeira no fundo que dava cachos em abundância: não será a mesma casa. É literalmente o clássico problema do Navio de Teseu. Hoje a casa de infância é mera lembrança distante em meu cérebro, e um dia nem isso será mais.

O mesmo se aplica à Internet. E ao mundo, no geral. Hoje eu diria que meu refúgio tem sido minha própria cabeça definhante, mesmo: "Um dia eu caminho por memórias distantes onde a caixa de som ainda não era stereo, noutro dia caminham com meu caixão por um cemitério." C'est la vie.

[–] h0p3@lemmy.zip 2 points 1 month ago (1 children)

Eu gostaria de ler os blogs dessa pessoa em evolução, por favor.

[–] dsilverz@calckey.world 1 points 1 month ago

@h0p3@lemmy.zip

Valeu! Então, de todos os blogs, gemlogs e demais formas de presença digital que já tive no passado, praticamente não tenho mais: na realidade, pouquíssimo sobreviveu ao tempo, ao azar e a mim mesmo:
- Ao tempo, pois plataformas deixaram de existir, contas expiraram (como 000webhost) e emails antigos foram substituídos e/ou perdidos.
- Ao azar, pois já fui pêgo de surpresa por armazemanentos corrompidos, por exemplo.
- E, o principal fator, à mim mesmo, pois tenho esse impulso auto-destrutivo de descartar aquilo que sinto não mais ter sentido/propósito, mesmo quando me tomou tempo e esforço pra criar. Às vezes faço backup pro meu HD antes de excluir da Internet, então aquilo que fiz vira quase como que um arquivo póstumo, um túmulo digital.

A parte mais significativa do que restou atualmente são três perfis meus aqui no Fediverso: essa conta aqui (Calckey) onde usei o feed pessoal pra mais de 500 notes (poesias e estórias, invocações espirituais, cifras e mensagens ocultas, desabafos e rages, pensamentos (muitas vezes espontâneos, explosivos e intrusivos) e devlogs) nos últimos 4 meses; Friendica, onde tenho mais um tanto de coisas similares anteriores ao meu Calckey; e Pixelfed, onde compartilhei alguns dos meus desenhos digitais de caráter ritualístico.

Especificamente blogs, um dos únicos que ainda está no ar, porém, alheio ao controle (um dos motivos pelo qual ainda sobrevive vagando por aí), é um Blogspot onde postei tutoriais e projetinhos de aplicações Windows entre 2010 a 2012, durante minha adolescência. Só não faço link para lá por estar com nome e até foto de pessoa física: eu era novo e naive demais pra ter a malícia que tenho hoje de usar pseudônimo e evitar autodoxxing, e quando aprendi isso, já tinha perdido os meios para renomear ou excluir.

Depois disso, o segundo em ordem cronológica de sobreviventes é um Dreamwidth que criei meio do ano agora, com meros 4 posts em momento de apatia espiritual (apateísmo).

Em seguida, um site no Neocities com duas temáticas concorrentes (cosmicismo luciferiano com pitadas humorísticas de Hitchhiker e 2001: Space Odyssey vs. terror cósmico-erótico lilithiano com pitadas macabras de inferno de Dante e tabu BDSM) antes de eu mover tudo lá pra subpastas internas e substituir o index.html por um placeholder de "410 Gone" (o site todo ainda está acessível, apenas "escondido" nos paths /hal8999, /safe e /unsafe (NSFW)). Esses, Dreamwidth e Neocities, estão linkados na bio do meu Calckey.

Essa lacuna digital, de 2013 a 2023, corresponde à atividades em redes mainstream ou não, onde participei e criei conteúdo no passado até um "suicídio digital".

Depois de 2023 tive blog no Tumblr, Pillowfort (ambos fim de 2023) e cápsula no Midnight Pub (Geminispace, fim de 2024), onde postava estórias e pensamentos, todos arquivados e apagados pouco depois de um ano cada.

No fim, mais de 90% do que fiz destruí, com parte das coisas salvas em HD, outras perdidas pra eternidade.

[–] arlon@connexia.hibiol.eu 1 points 1 month ago (1 children)

@dsilverz

Já vaguei por inúmeros cantos dessa Internet

Baita “currículo”, o teu! Também já pensei em entrar pro #Gemini, mas por não ter tantos brasileiros, não me senti incentivado. Adoro rádio também, mas não sei se eu seria um distribuidor de rádio-amadorismo.

Talvez costumasse sê-lo na época do Orkut, onde a internet era meu único espaço de alguma socialização

I know that feel, bro. Também tinha essa relação com as redes sociais. Mas não me refulgiava no #Orkut, mas sim no #Tumblr e no Twitter.

Mas, como tudo nessa existência cósmica, essa Internet morreu

E como você interpreta o Fediverso em relação a essa internet morta e a esta internet natimorta (comercial)?

Obrigado pela bela resposta!

[–] dsilverz@calckey.world 1 points 1 month ago (1 children)

@arlon@connexia.hibiol.eu @batepapo@lemmy.eco.br

mas por não ter tantos brasileiros,

Sim, praticamente só alemão e estadunidense por lá. Tanto que meus gemlogs eram em inglês, com raras publicações que fiz em português pra levar um pouco de um brasileiro poético num espaço onde eu via algumas pessoas levando o idioma delas de vez em quando.

como você interpreta o Fediverso em relação a essa internet morta e a esta internet natimorta (comercial)?

Problema é que o Fediverso, como um todo, depende de toda essa infra "Internet": de TCP/IP a provedores de internet e Big Techs (como CloudFlare). Então acaba sendo como tentar construir um foguete para exploração espacial enquanto dentro da cabine de um Boeing que está caindo em direção à boca de um vulcão em erupção. Aqui emendo o próximo ponto:

Adoro rádio também, mas não sei se eu seria um distribuidor de rádio-amadorismo.

O bom do rádio-amadorismo (e rádiocomunicação em geral) é que está meio que alheio ao "fenômeno" da constante degradação que a Internet vem sofrendo.

Inclusive esses dias vi, num fio aqui do Lemmy sobre a degradação do Firefox (IA sendo sorrateiramente incorporada ao navegador que costumava ser exemplar de privacidade e leveza), uma pessoa trazendo uma futurologia curiosa: de que o futuro é do "packet pirate radio".

Hoje coisas como LoRa (long-range radio) são bem acessíveis, mas a tendência é que as frequências e dispositivos de rádio se tornem cada vez mais restritas às corporações com a anuência dos governos (principalmente dos EUA e da UE, que juntas meio que acabam influenciando os rumos político-legais de todos os outros países do mundo incluindo Brasil).

Vai sobrar, então, a "subcultura gray-hat (cyber-steam)punk": transceptor feito de com peça de ferro-velho, plugado a uma velha antena parabólica cheia de tétano que era de um antigo combo da Sky, apontada pra um dos abandonados FLTSATCOM da marinha estadunidense na órbita geoestacionária, com todo o aparato em uma garagem escondida comandado por um dos últimos exemplares de um Arduino de uma época onde Arduino e similares ainda estavam fora do alcance das corporações (e de IAs corporativas).

O rádio (analógico), com uso possivelmente intenso de codebooks combinados e/ou esteganografia (porque criptografia via ham rádio, além de ser ruidoso, é visado por ser "proibido" pela ITU, mas esteganografia conta com um inexorável plausible deniability) é, nesse sentido, o último bastião da comunicação totalmente humana.

Também tinha essa relação com as redes sociais. Mas não me refulgiava no Orkut, mas sim no Tumblr e no Twitter.

Esses também cheguei a usar, como relatei ali na minha resposta pro h0p3. Usei por pouco tempo em comparação ao Orkut, onde comecei a participar de comunidades ainda em meados de 2008 até cerca de 2014 quando o Orkut acabou. Nesse momento minha rotina escolar (e por consequência o bullying escolar) já tinham terminado para ceder espaço à Kafkaesca vida adulta de trabalho e faculdade.

[–] arlon@connexia.hibiol.eu 1 points 1 month ago (1 children)

@dsilverz

acaba sendo como tentar construir um foguete para exploração espacial enquanto dentro da cabine de um Boeing que está caindo em direção à boca de um vulcão em erupção

Baita imagem.

O bom do rádio-amadorismo (e rádiocomunicação em geral) é que está meio que alheio ao "fenômeno" da constante degradação que a Internet vem sofrendo.

Me fala mais disso? Como posso ter acesso ao rádio-amadorismo, preciso de equipamento especial? E por que acha que o rádio não está sofrendo merdificação?

a tendência é que as frequências e dispositivos de rádio se tornem cada vez mais restritas às corporações com a anuência dos governos

Tenho essa impressão mesmo. O “cardápio” radiofônico é cada vez menor. Estações de notícias aqui em Fortaleza não passam de quatro, todos ligados mais ou menos às gigantes da comunicação.

transceptor feito de com peça de ferro-velho, plugado a uma velha antena parabólica cheia de tétano que era de um antigo combo da Sky, apontada pra um dos abandonados FLTSATCOM da marinha estadunidense na órbita geoestacionária

Não entendi metade das palavras deste parágrafo. Ainda tenho muito o que aprender...

o último bastião da comunicação totalmente humana

E por que isso? E o acontece com o livro, a música, o cinema?

[–] dsilverz@calckey.world 1 points 1 month ago

@arlon@connexia.hibiol.eu @batepapo@lemmy.eco.br

radiofônico

Só um adendo: quando falo de rádio, é outro tipo. Rádio Bandeidantes, por exemplo, não é radiocomunicação e sim radiodifusão. Ambos são rádio no sentido de que envolvem frequências, modulações e transceptores, mas diferem em direcionalidade. A radiocomunicação que falo é, exemplo, Px que costumava ser bastante usado entre caminhoneiros, o rádio usado por seguranças, polícia, SAMU, taxistas, aviação, agências espaciais... esses e outros são radiocomunicação.

Como posso ter acesso

Algumas dessas são fechadas, como a comunicação de emergência, militar e aviação. Outras exigem exame e habilitação (aqui no Brasil é o COER, com classes A, B e C, expedido pela Anatel).

O Px (faixa dos 11 metros) é o mais "aberto" no sentido que não exige COER: é solicitar um indicativo pra Px gratuito pelo site da Anatel (pelo menos era assim, não sei se mudou). Depois de tirar indicativo, é adquirir um transceptor (ex.: Aquário 40 canais) e vinculá-lo ao indicativo no site da Anatel. Dai é que entra a parte mais técnica (e divertida aos radioamadores) de montar antena, cabo, etc, pra conseguir melhor propagação de sinal para a geografia do local, e então participar de "rodadas de radioamadorismo Px" ao alcance.

E o acontece com o livro, a música, o cinema?

É que esses são formas unidirecionais de comunicação: das pessoas escritoras/compositoras/dramaturgas, aos respectivos públicos. O público, por sua vez, costuma não dialogar de volta com quem criou a obra, salvo raríssimas exceções (teatro interativo com quebra da 4a parede onde o público é parte do elenco, festival onde a banda improvisa música ali na hora com a plateia, e não sei se tem algo similar onde @ escritor(a) escreve um livro em tempo real enquanto o público sugere partes da estória).

Quando falo de comunicação, ali, falo da comunicação duplex e/ou multiplex, essa que estamos a fazer no momento. A internet, em sua grande parte, é isso: pessoas conversando entre si através de dispositivos.

A radiocomunicação também é isso, só que, ao invés de um Thinkpad e um Moto G, é por exemplo um IC910 e um UV5R; ao invés de Wi-fi, é FM analógico em VHF. Mas uma das principais diferenças é que não tem servidor ou provedor de internet: é ponta-a-ponta numa mesma frequência (canaleta). E nesse sentido, é uma comunicação que não tem como ser barrada no seu ato, exceto por interferência (literalmente falar por cima da conversação alheia). É por esse e outros motivos que...

o rádio não está sofrendo merdificação

...porque não tem como ser controlado por corporações, principalmente rádiocomunicação analógica. Ainda que as fabricantes de transceptores (Motorola, Yaesu, Icom, Baofeng, etc) decidam "inovar", radioamadorismo também envolve criar os próprios equipamentos (quando Marconi fez a primeira transmissão de rádio, não existiam transceptores, era um transmissor que ele mesmo fez no laboratório).

[–] mingueo@lemmy.eco.br 2 points 1 month ago

pra mim é um refúgio pra escapar do mundo não-virtual. não que a experiência seja ruim, mas não acho super confortável conviver com meus pensamentos o tempo inteiro e um dos lugares que proporcionam fugir disso é o fediverso.

também tem o fato de q eu me mudei de outra região e não tenho amigos por aqui fora do trabalho a não ser os que fiz justamente pelo mastodon kkkkk. não encaro isso como uma fuga da internet. enxergo, na verdade, o fediverso como a internet que eu quero viver, e aí o propósito de fuga do espaço não-virtual se mantém

[–] cibernauta@lemmy.eco.br 1 points 1 month ago

Acho que a internet tornou-se mais uma prisão do que um refúgio. O objetivo das empresas que atuam na internet geralmente giram em torno de nos prender aqui, prender nossas mentes

[–] arlon@connexia.hibiol.eu 1 points 1 month ago

Já vaguei por inúmeros cantos dessa Internet

Baita “currículo”, o teu! Também já pensei em entrar pro #Gemini, mas por não ter tantos brasileiros, não me senti incentivado. Adoro rádio também, mas não sei se eu seria um distribuidor de rádio-amadorismo.

Talvez costumasse sê-lo na época do Orkut, onde a internet era meu único espaço de alguma socialização

I know that feel, bro. Também tinha essa relação com as redes sociais. Mas não me refulgiava no #Orkut, mas sim no #Tumblr e no Twitter.

Mas, como tudo nessa existência cósmica, essa Internet morreu

E como você interpreta o Fediverso em relação a essa internet morta e a esta internet natimorta (comercial)?

Obrigado pela bela resposta!

[–] helenfernanda@social.vivaldi.net 1 points 1 month ago (1 children)

@arlon @batepapo

Não mais. Refúgio pra mim é ficar off-line, geralmente fazendo crochê ou algo assim. 🤣

[–] arlon@connexia.hibiol.eu 1 points 1 month ago (1 children)

@helenfernanda @batepapo

Por aqui é igual! Eu mesmo estou desenvolvendo (na cabeça) o conceito de offpunk (resistência através do analógico / low-tech), que peguei do @ploum

Masssss se é para ficar na internet, que seja em um lugar amigável e desmonetizado. Este lugar é o Fediverso!