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Bate-Papo

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batepapo

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O desconhecido na língua estrangeira.

Por que é menos desesperador ver uma palavra desconhecida na língua materna do que ver uma palavra desconhecida em língua estrangeira?

Estava aqui dando uma lida no meu agregador de RSS e fui clicando nas notícias. Aquelas em inglês eu batia o olho e na primeira palavra estranha eu desistia e ia para a próxima notícia. Aquelas em português, mesmo que eu não soubesse o que significava o termo, seguia na leitura.

Já tenho uma boa jornada com inglês, e sei que com paciência eu saco o significado das palavras na hora. Um dicionário médio também serve. Ainda assim, tenho muita resistência a ler nessa língua. Não sou capaz de dizer agora se o mesmo acontece em outras línguas que aprendi.

Será que isso acontece só comigo? Duvido.

@batepapo

#Linguística #Linguistica #Linguistics

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[–] obbeel@bolha.us 2 points 1 month ago (2 children)

@dsilverz @batepapo @arlon Latim traduzido pro português seria especialmente ruim em livros de fantasia. O latim é importante.

O mistério da linguagem é muito grande, as palavras tem as origens mais diversas. Às vezes uma palavra em inglês tem uma origem na Rússia ou nos povos eslavos; às vezes vem da Constantinopla.

É tudo muito variado e isso soma ao mistério como, por exemplo: "Por que as pessoas escolheram esta frase/palavra deste local pra se expressar?" É tudo muito misterioso.

Acho que isso conta quando ao expressar uma palavra em português, inglês ou latim. Porque a palavra em português tem um contexto cultural diferente do inglês que tem um contexto cultural diferente do latim.

É difícil, porque o inglês, ainda mais por ser expansivo, está sempre no estado da arte da linguagem e com uma cultura muito complexa. Mas nada substitui a diversidade cultural do Brasil, mesmo que não seja valorizada.

É uma incógnita, na minha opinião.

[–] dsilverz@calckey.world 1 points 1 month ago (1 children)

@obbeel@bolha.us @batepapo@lemmy.eco.br @arlon@connexia.hibiol.eu

Perfeitas colocações, exatamente!

Já cheguei a tentar explorar, embora como um total leigo nessas áreas, conhecimentos referentes à linguística, etimologia e coisas como reconstrução Proto-Indo-Europeia e Proto-Afroasiático, além da standardização da fonética humana exercida por ferramentas como IPA (International Phonetic Alphabet). Os idiomas costumam ter uma ordem para convencionar termos para as cores, com o vermelho sendo uma das primeiras cores entre todas as linguagens humanas. Termos esses que diferem a lot: rouge x vermelho x hóng x krasniy x ahmar x outras variações. Vou tentar incluir um screenshot de anotações pessoais que fiz nesse sentido.

Também, o único caso de um fenômeno trans-linguístico, uma palavra que têm a pronúncia igual ou similar não importa o idioma, é "mãe": (praticamente) todos usam sons labiais como /m/. Diz-se que é o primeiro som mais complexo que um recém-nascido consegue vocalizar (mas por que não sons como "nhá", "aiá" e "uá", que um recém-nascido faz antes do mesmo de um "má-má", é um mistério).

Também, tem tanta palavra que a gente usa no dia-a-dia que a gente raramente pára pra pensar no significado. Por exemplo, "tchau" é um termo que era usado para sinalizar continuidade de servidão por parte de um escravo ao escravagista, "quarto" e "quarteirão" provavelmente vieram da divisão dos casarões, entre outros termos ("Canhoto" e "sinistro" tendo conotação de fundamentalismo cristão, associando pessoas canhotas à influência demoníaca; "demônio", por sua vez, foi "demonizado" da palavra grega Daimos que signfiicava "espíritos" sem necessariamente conotações ruins/negativas).

Até o nome Brasil, diz-se que veio de "barzel" (ברזל) para "ferro" (a madeira pau-brasil tem um vermelho similar ao do óxido de ferro), e as inscrições fenícias na Pedra da Gávea apontaria para uma atividade extra-nativa no território brasileiro que antecederia a de Pedro Álvares Cabral.

Por fim, muito foi perdido. Tabuletas foram perdidas, pela destruição do tempo ou pela destruição dos próprios humanos (exemplo: guerras que destruíram artefatos históricos). Muita coisa sobre o distante passado jamais será sabido, no máximo, teorizado. Dá certa tristeza quando penso isso, porque, por exemplo, há todo um conhecimento pré-sumério registrado em artefatos e pinturas rupestres poderiam complementar um entendimento de como o conhecimento atual passou a sê-lo, mas uma quantidade inimaginável desses artefatos e pinturas foram perdidos pra sempre.

Parte de um extensivo conjunto de anotações que não cabe aqui na descrição da imagem, mas que versam sobre palavras como "Abismo" e "Mãe" em múltiplos idiomas.

[–] obbeel@bolha.us 1 points 1 month ago

@dsilverz @batepapo @arlon Os arqueólogos Gabriela Martin e Varnderley de Brito acreditam que as inscrições na Pedra da Gávea foram feitas por intempéries naturais.

Acredito que essa seja a visão da comunidade científica global também. Algo difícil de mudar. Vai ficar parecendo que você está falando da Usina de Energia do Antigo Egito.

[–] arlon@connexia.hibiol.eu 1 points 1 month ago (1 children)

@obbeel @dsilverz @batepapo.

É difícil, porque o inglês, ainda mais por ser expansivo, está sempre no estado da arte da linguagem e com uma cultura muito complexa. Mas nada substitui a diversidade cultural do Brasil, mesmo que não seja valorizada

Acho, acho, que toda língua é em maior ou menor grau expansiva, mas a gente percebe mais a "expansividade" do inglês porque, primeiro, todos estão de olho nessa língua, e, segundo, o inglês tem uma veia muito metalinguística.

Há memes em inglês que são pura metalinguagem. Isso é raro em português, esse humor metalinguístico. Eu vejo isso mais nas ruas e na canção, não na internet. A expansividade lusófona é sutil e poderosa. Ainda quero ver o língua portuguesa transformar-se em linguagem.

[–] obbeel@bolha.us 1 points 1 month ago

@arlon @batepapo @dsilverz Por exemplo, a maioria dos artigos científicos do mundo são escritos em inglês. Então, quando surge um termo novo: "time crystals", "memristors", "LiDAR"; os termos são em inglês. Isso faz diferença na imaginação da população mundial, até mesmo artisticamente.