this post was submitted on 18 Nov 2025
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Bate-Papo
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Uma comunidade para discussões gerais que não se encaixam nas previstas em outras.
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@dsilverz
Baita “currículo”, o teu! Também já pensei em entrar pro #Gemini, mas por não ter tantos brasileiros, não me senti incentivado. Adoro rádio também, mas não sei se eu seria um distribuidor de rádio-amadorismo.
I know that feel, bro. Também tinha essa relação com as redes sociais. Mas não me refulgiava no #Orkut, mas sim no #Tumblr e no Twitter.
E como você interpreta o Fediverso em relação a essa internet morta e a esta internet natimorta (comercial)?
Obrigado pela bela resposta!
@arlon@connexia.hibiol.eu @batepapo@lemmy.eco.br
Sim, praticamente só alemão e estadunidense por lá. Tanto que meus gemlogs eram em inglês, com raras publicações que fiz em português pra levar um pouco de um brasileiro poético num espaço onde eu via algumas pessoas levando o idioma delas de vez em quando.
Problema é que o Fediverso, como um todo, depende de toda essa infra "Internet": de TCP/IP a provedores de internet e Big Techs (como CloudFlare). Então acaba sendo como tentar construir um foguete para exploração espacial enquanto dentro da cabine de um Boeing que está caindo em direção à boca de um vulcão em erupção. Aqui emendo o próximo ponto:
O bom do rádio-amadorismo (e rádiocomunicação em geral) é que está meio que alheio ao "fenômeno" da constante degradação que a Internet vem sofrendo.
Inclusive esses dias vi, num fio aqui do Lemmy sobre a degradação do Firefox (IA sendo sorrateiramente incorporada ao navegador que costumava ser exemplar de privacidade e leveza), uma pessoa trazendo uma futurologia curiosa: de que o futuro é do "packet pirate radio".
Hoje coisas como LoRa (long-range radio) são bem acessíveis, mas a tendência é que as frequências e dispositivos de rádio se tornem cada vez mais restritas às corporações com a anuência dos governos (principalmente dos EUA e da UE, que juntas meio que acabam influenciando os rumos político-legais de todos os outros países do mundo incluindo Brasil).
Vai sobrar, então, a "subcultura gray-hat (cyber-steam)punk": transceptor feito de com peça de ferro-velho, plugado a uma velha antena parabólica cheia de tétano que era de um antigo combo da Sky, apontada pra um dos abandonados FLTSATCOM da marinha estadunidense na órbita geoestacionária, com todo o aparato em uma garagem escondida comandado por um dos últimos exemplares de um Arduino de uma época onde Arduino e similares ainda estavam fora do alcance das corporações (e de IAs corporativas).
O rádio (analógico), com uso possivelmente intenso de codebooks combinados e/ou esteganografia (porque criptografia via ham rádio, além de ser ruidoso, é visado por ser "proibido" pela ITU, mas esteganografia conta com um inexorável plausible deniability) é, nesse sentido, o último bastião da comunicação totalmente humana.
Esses também cheguei a usar, como relatei ali na minha resposta pro h0p3. Usei por pouco tempo em comparação ao Orkut, onde comecei a participar de comunidades ainda em meados de 2008 até cerca de 2014 quando o Orkut acabou. Nesse momento minha rotina escolar (e por consequência o bullying escolar) já tinham terminado para ceder espaço à Kafkaesca vida adulta de trabalho e faculdade.
@dsilverz
Baita imagem.
Me fala mais disso? Como posso ter acesso ao rádio-amadorismo, preciso de equipamento especial? E por que acha que o rádio não está sofrendo merdificação?
Tenho essa impressão mesmo. O “cardápio” radiofônico é cada vez menor. Estações de notícias aqui em Fortaleza não passam de quatro, todos ligados mais ou menos às gigantes da comunicação.
Não entendi metade das palavras deste parágrafo. Ainda tenho muito o que aprender...
E por que isso? E o acontece com o livro, a música, o cinema?
@arlon@connexia.hibiol.eu @batepapo@lemmy.eco.br
Só um adendo: quando falo de rádio, é outro tipo. Rádio Bandeidantes, por exemplo, não é radiocomunicação e sim radiodifusão. Ambos são rádio no sentido de que envolvem frequências, modulações e transceptores, mas diferem em direcionalidade. A radiocomunicação que falo é, exemplo, Px que costumava ser bastante usado entre caminhoneiros, o rádio usado por seguranças, polícia, SAMU, taxistas, aviação, agências espaciais... esses e outros são radiocomunicação.
Algumas dessas são fechadas, como a comunicação de emergência, militar e aviação. Outras exigem exame e habilitação (aqui no Brasil é o COER, com classes A, B e C, expedido pela Anatel).
O Px (faixa dos 11 metros) é o mais "aberto" no sentido que não exige COER: é solicitar um indicativo pra Px gratuito pelo site da Anatel (pelo menos era assim, não sei se mudou). Depois de tirar indicativo, é adquirir um transceptor (ex.: Aquário 40 canais) e vinculá-lo ao indicativo no site da Anatel. Dai é que entra a parte mais técnica (e divertida aos radioamadores) de montar antena, cabo, etc, pra conseguir melhor propagação de sinal para a geografia do local, e então participar de "rodadas de radioamadorismo Px" ao alcance.
É que esses são formas unidirecionais de comunicação: das pessoas escritoras/compositoras/dramaturgas, aos respectivos públicos. O público, por sua vez, costuma não dialogar de volta com quem criou a obra, salvo raríssimas exceções (teatro interativo com quebra da 4a parede onde o público é parte do elenco, festival onde a banda improvisa música ali na hora com a plateia, e não sei se tem algo similar onde @ escritor(a) escreve um livro em tempo real enquanto o público sugere partes da estória).
Quando falo de comunicação, ali, falo da comunicação duplex e/ou multiplex, essa que estamos a fazer no momento. A internet, em sua grande parte, é isso: pessoas conversando entre si através de dispositivos.
A radiocomunicação também é isso, só que, ao invés de um Thinkpad e um Moto G, é por exemplo um IC910 e um UV5R; ao invés de Wi-fi, é FM analógico em VHF. Mas uma das principais diferenças é que não tem servidor ou provedor de internet: é ponta-a-ponta numa mesma frequência (canaleta). E nesse sentido, é uma comunicação que não tem como ser barrada no seu ato, exceto por interferência (literalmente falar por cima da conversação alheia). É por esse e outros motivos que...
...porque não tem como ser controlado por corporações, principalmente rádiocomunicação analógica. Ainda que as fabricantes de transceptores (Motorola, Yaesu, Icom, Baofeng, etc) decidam "inovar", radioamadorismo também envolve criar os próprios equipamentos (quando Marconi fez a primeira transmissão de rádio, não existiam transceptores, era um transmissor que ele mesmo fez no laboratório).